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O carro restaurante n° 853 da Cia. Paulista

João Paulo M. Camargo — Centro-Oeste n° 88 — 1°-Mar-1994

Se estivéssemos na São Paulo de 1933 e partíssemos no "Trem de Aço" em direção ao interior, provavelmente não perceberíamos diferença alguma nos serviços de restaurante — e muito menos o refinamento tecnológico que nossa indústria alcançava naquele momento — caso a composição fosse formada com o carro n° 853.

Conforme comentado no primeiro artigo desta série (CO-25/7), a Cia. Paulista havia comprado apenas 2 carros restaurante da norte-americana ACF, que serviam às composições de aço, um deles para cada sentido da viagem.

Faltava um carro extra para fazer a folga técnica aos outros dois, sem que a retirada de circulação de um deles afetasse o atendimento ao usuário, e sem que um restaurante de madeira tivesse de ser colocado na composição.

Além de desarmonizar esteticamente o imponente "Trem de Aço", o carro de madeira teria o grande inconveniente de ser mais leve que os de aço. Como nessa época os restaurantes eram posicionados entre os carros de 1ª e de 2ª classe, a diferença de tara poderia refletir-se num desconforto aos usuários, por trepidação devido às frenagens e acelerações da composição formada por carros mais pesados.

A construção desse único carro restaurante de aço possibilitou à CP tomar um maior conhecimento da tecnologia de construção e reparo de caixas metálicas — vantagem esta bem utilizada pelas oficinas durante o perído da II Grande Guerra, que se seguiu de 1939 a 1945.

O carro, em si, era semelhante aos norte-americanos n° 851 e 852, a não ser por seu comprimento ligeiramente menor (21 metros), pois — tal como os importados — possuía acabamento interno decorado com espécies de madeiras nacionais, e foi construído pelo mesmo sistema de chapas duplas (chapas, aliás, importadas).

Era todo rebitado em suas emendas, possuindo na parte superior o rebaixamento do teto em painel tejadilho para ventilação do salão e cozinha; truques de 6 rodas para melhor conforto; e dois sistemas de engate.

Além dos engates de rosca e pratos (ou "topes"), a composição de aço possuía os engates americanos automáticos: — Os carros eram acoplados entre si por engates automáticos; e o carro-correio era acoplado às locomotivas — tanto da CP quanto da SPR — com engates de rosca e pratos.

Vale frisar que estes veículos foram os primeiros a possuir engates automáticos — hoje tão difundidos entre nós —, nas duas ferrovias de bitola larga (1,60 m).

O carro n° 853 foi construído nas oficinas de Rio Claro, em 1933, com lotação para 30 passageiros; decoração interna feita de madeira invernizada; e externa em verde pullman com filetes e caracteres (números e símbolos) em amarelo — passando por volta dos anos 40 a emblemas em peças de alto relevo de latão cromado.

Com a entrada em serviço de novos carros de aço nos anos 40 e 50, o n° 853 foi sendo modificado para um serviço menos luxuoso e requintado. Em 1950 já apresentava truques de apenas 2 eixos, e a capacidade do salão passava de 30 para 40 lugares. Nesta ocasião já apresentava equipamento de freio a ar comprimido.

Na Fepasa, seu número passou de 853 para 7303, circulando até 1979 / 1980, com pintura azul, e faixa e teto cinza claro, sendo então encostado no pátio de Rio Claro. Seu sucateamento ocorreu supostamente por volta de 1984, apesar da ABPF ter pedido a guarda do carro em 1981, juntamente com outros de 1928 e 1942 (CO-25/7).

Na foto, o n° 7303 em Rio Claro, em 1982.

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